sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

OS DESPEITADOS "HOMENS DE PALAVRAS"


Uma espessa camada de eméritos políticos, quase todos ex-qualquer coisa nos seus respectivos partidos, afastados agora das alavancas  do poder, quer do que dispõe quer do que se opõe, anda esparramada pelos jornais e televisões, criticando acerbamente a pusilanimidade da oposição e a iniquidade da governação. 
O que os moverá a tal, para lá evidentemente do que lhes pagam os media que tanto ilustram? Será apenas um imperativo sentido de serviço público?
Recorramos a Eric Hoffer, respigando do seu livro "Do Fanatismo" algumas interessantes e elucidativas passagens sobre os que chama homens de palavras e ofensas.

Os homens de palavras são de vários tipos. Podem ser padres, escribas, profetas, escritores, artistas, professores, estudantes e intelectuais em geral.(...)
Seja qual for o tipo, há um anseio arreigado comum a todos os homens de palavras que determina a sua atitude para com a ordem dominante. É o anseio de reconhecimento; o anseio de um estatuto claramente demarcado acima do comum dos homens.(...)
Há um momento na carreira de quase todos os homens de palavras muito críticos quando um gesto deferente ou conciliatório do poder para com eles os poderá atrair a ficarem do seu lado. Em certa fase, a maioria dos homens de palavras está pronta a tornar-se oportunista e cortesã.(...)
É certo que assim que o homem de palavras formula uma filosofia e um programa, tende a não abrir mão deles e a ser imune a lisonjas e engodos.
Por mais que o homem de palavras em protesto se veja como paladino dos fracos e oprimidos, a ofensa que o anima é, salvo pouquíssimas excepções, privada e pessoal. A sua piedade desenvolve-se geralmente a partir de um ódio pelos poderes instituídos.

Creio que fica agora mais claro o que faz jorrar as ferozes críticas daquelas egrégias figuras. Ele haverá talvez excepções, mas olhem que não é fácil dar com elas.


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