segunda-feira, 28 de novembro de 2011

O património imperecível do salazarismo.



Fátima, Futebol e Fado: eram no tempo do Salazar os três efes, todos maiúsculos, todos desdenhosamente referidos pelos bem-pensantes de então, fossem ou não da cor política vigente.
Com o 25 de Abril feneceram os efes quase que por inteiro, tendo-se só aguentado, um pouco murchito, o futebol. Mas este, com o fim do PREC, readquiriu rapidamente o seu anterior fulgor, senão mesmo um ainda maior. Fátima em breve acompanhou essa trajectória de recuperação, não tendo embora voltado ao esplendor de antigamente, devido também à crescente descristianização do país.
Apenas o fado tinha recuperado até agora apenas um pequeno efe, ajudado por vozes jovens, caras novas e letras refrescadas, livres dos cediços fidalgos e toiradas, vielas e varinas, e glorificados fadistas irremediavelmente condenados ao seu fado.
Mas eis que, graças à UNESCO, esse pequeno efe readquire a sua anterior maiusculidade, refazendo-se assim a trindade tradicional da nossa vivência colectiva espiritual .
Donde se poderá concluir que os três efes não eram tanto assim  uma invenção da propaganda salazarista, mas corresponderão a algo de mais duradouro que por cá existe.
O futebol alimentará as nossas ânsias gregárias, quando a equipa é a nacional, e as mais primárias pulsões tribais, propiciadas essas pelo clube do coração. Fátima claro que fornecerá o suprimento religioso a quem ainda carece de tal maná. E por fim o fado, esse ficará para as emoções artísticas, potenciadas agora pelo orgulho, que sempre nos desvanece, do seu reconhecimento, mesmo que imaterial, pela restante humanidade.
Na verdade, de que mais precisaremos para nos sentirmos, como nação, espiritualmente realizados?

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