quarta-feira, 30 de novembro de 2011

O louco norueguês e os lúcidos islamistas



Uma equipa de psiquiatras noruegueses acaba de declarar Breivik, o terrorista que este ano assassinou 77 pessoas em Oslo, inimputável, pelo que não deverá ir a julgamento mas ser internado num manicómio. A decisão ainda terá de ser validada por um tribunal. Se aprovada, consegue-se assim uma privação perpétua da liberdade, em vez dos 21 anos de prisão a que no máximo poderia ser condenado pela lei norueguesa, pode ser submetido a tratamento para melhorar a sua perturbada condição, e evitam-se as suas eventuais proclamações estapafúrdias durante  julgamento. E se mesmo assim for levado a tribunal, como já vai rotulado de demente, e a palavras loucas, orelhas moucas, fica tudo por conta da sua insanidade. Pois só pode ser louco quem naquela pacífica nação de igualitários cidadãos, embora descendente de ferozes vikings,  fez o que ele fez.
(Esta medida não deixa de lembrar o tratamento reservado na URSS pós-estalinista a alguns dos ditos dissidentes -  internamento psiquiático. Quem então manifestasse oposição ao regime soviético, claro que só poderia ser ou perverso ou louco, donde campo de concentração para os primeiros e tratamento psiquiátrico para os outros. Uns quantos sobreviveram e contaram como era).
Comparemos esta orientação com a adoptada em anos recentes em Espanha e Inglaterra para com os terroristas islâmicos que puseram bombas em comboios, metros e autocarros, matando centenas de pessoas. Foram presos, os que foi possível apanhar, levados a julgamento e condenados. Foi sequer colocada a hipótese de os considerar loucos, e daí inimputáveis? Não, de forma alguma, isso seria insultuoso; a sua lucidez e clareza de propósitos não foi alvo de tamanho enxovalho! Então já não bastava o opróbrio de serem levados a julgamento por infiéis, teria ainda por cima de ser cometida a infâmia dos insultarem, questionando a racionalidade dos seus objectivos? Tanto mais que vários desses objectivos, tais como antiamericanismo, o anticapitalismo e o antissemitismo, são apadrinhados por largos sectores da opinião pública ocidental, a malta dos não concordam. mas compreendem...  
Donde os juízes ingleses e espanhóis, com grande sabedoria e não menor prudência, considerarem os terroristas islâmicos imputáveis, logo dignos de serem julgados pelas civilizadas e benignas leis penais dos países visados pelos seus atentados.
Felizmente reinou nestes casos o bom senso, e um sóbrio e comedido julgamente bastou para com humanidade punir os assassinatos cometidos.

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