terça-feira, 18 de agosto de 2009

Como era bela a Grande Depressão,


a de agora, a nossa, a que viria livrar-nos do capitalismo, do neoliberalismo, da sociedade de consumo, dos financeiros ávidos e dos banqueiros corruptos, dando-nos em troca Estados poderosos e socialistas, de preferência não democráticos, e um fraterno mundo multicultural em vez deste globalizado horror.
Mas eis que poucos meses volvidos sobre a sua proclamação, começa esta Grande Depressão a minguar, a encolher, já mal chega a Pequena Depressão, talvez seja mesmo apenas e só uma recessão, mais uma, a juntar ao rol das que vão pontuando a incessante marcha para a frente e para cima da sociedade capitalista.
[Embora motivada por outro assunto, fica a propósito transcrever aqui esta boutade do José Cutileiro, no Expresso do passado fim-de-semana: "(...) alguma esquerda (que) se recusa a admitir que a tragédia de ser explorado pelo capitalismo não é nada comparada com a tragédia de não ser".]
Até mesmo o Paul Krugman, sumo pontífice dos economistas de esquerda norte-americanos (que está para a Economia e o Nobel que lhe deram como o Michael Moore está para a 7ª Arte e o Grande Prémio de Cannes com que o brindaram) já veio conceder o não-evento da Grande Depressão II, embora atribuindo este insucesso à pronta intervenção do "Big Government"; há que salvar a cara.
E só já se discute agora se a recuperação será em V, ou em U, ou em W.

Lá voltaremos pois ao neo-liberalismo (ou passará a ser neo-neoliberalismo, para que não se diga que nada se alterou?), com protestos de olho severo e mão pesada sobre os financeiros e seus desmandos, até que os políticos deixem que o crédito à habitação, ao automóvel e ao consumo escorra de novo fácil, abundante e desreguladamente, pois como é sabido consumidores felizes dão eleitores agradecidos (veja-se a propósito, aqui, o artigo "The legacy of the Clinton bubble", publicado na Dissent, revista da esquerda norteamericana, sobre as origens "democráticas" do subprime, que veio a provocar a presente crise; o grande Bill foi na verdade o deregulator-in-chief).

Sem comentários: