domingo, 5 de julho de 2009

Ó grávidas adolescentes e pobres - abortai!

Tem andado pelos jornais e televisões o caso duma jovem adolescente que não só engravidou como teve o desplante de não abortar, numa detestável exibição de pré-modernidade, dando à luz um saudável menino.
Os serviços sociais cá da terra debruçaram-se evidentemente sobre tão insólito caso; e como era mãe solteira, menor e de família pobre, a coisa foi levada a tribunal, que decidiu, inapelavelmente, que a criança deveria ser dada para adopção, por falta de condições socioeconómicas da família natural para a criar.
Para o Estado social que supostamente temos, é pelo menos curiosa a decisão; em vez de se decidirem medidas de apoio à mãe e sua família, que lhe permitissem manter, como desejava, e deseja, o filho, retiram-lho. Claro que assim fica muito mais barato ao Estado, e não se dá um péssimo exemplo a inconscientes jovens adolescentes pobres que engravidem e queiram ter o filho; nem pensem nisso! Abortem, isso sim, é que é socialmente correcto.
E mais uma vez se provou que os nossos serviços sociais são cautos e que a nossa justiça não é cega, mas sim vesga e prudente; pois há muitas outras jovens adolescentes pobres a dar à luz em condições e em famílias miseráveis. Mas essas são ciganas. E aí não metem o bedelho serviços sociais e tribunais, a dizerem-lhes que não podem manter os filhos, tirando-lhos compulsivamente para adopção. Não, que os ciganos são gente bruta, sempre prontos para o tiro e a facada, e se de algo têm o merecimento, é o de serem unidos e dotados dum forte sentido de família.
Isto passa-se no país real.
Mas algures, num qualquer hiperespaço, existe um outro Portugal, onde tudo é belo e bom. Por exemplo, nesse outro país há desde 2001 uma iniciativa comunitária financiada pelo Fundo Social Europeu e pelo Estado Português, que promove a inovação social, de seu nome Equal, alindada por criativos slogans rimados em al: “de igual para igual”; “inovação social uma oportunidade nacional”. Compõe-se essa iniciativa de 15 programas diferentes, cada um deles, evidentemente, com o seu endereço na internet.
Ora entre esses 15 programas conta-se um chamado “Promoção da auto-determinação e empowerment (sic) de mães adolescentes”. Fins visados? “Jovens mães adolescentes, em risco de exclusão social, contam actualmente com serviços de apoio que lhes permitem assumir uma maternidade responsável, definir e realizar um projecto de vida. Formação, acolhimento em residência temporária, acesso a serviços de guarda de crianças e a serviços de saúde, obtenção de habilitações escolares são algumas das respostas criadas à medida das necessidades deste grupo.”
Tudo o que a jovem mãe e o seu filhito acima referidos teriam necessitado; que pena não serem deste outro Portugal!

1 comentário:

Tb disse...

então já não há mais posts..?