sábado, 9 de maio de 2009

O ambientalismo genocida

O escritor e ensaísta americano Edward Abbey (1927-1989) escreveu no seu livro “Desert Solitaire: a season in the wilderness” (1968) a seguinte frase (a acrescentar à lista de "Ditos Memoráveis de Ecologistas VIP", abaixo):

I’m a humanist; I’d rather kill a man than a snake. [Sou um humanista; preferia matar um homem a matar uma cobra]

Não consta que tenha sido alvo de perseguições ou sequer ostracizado por tal. O que prova a que ponto de insensibilidade a imunização ideológica nos pode levar em relação a enormidades, ditas ou feitas. Lê-se essa frase, imediatamente a identificamos como uma boutade ecológica, que aceitamos sem um particular sobressalto dada a actual imagem pública do ambientalismo como um meritório movimento que visa salvar a Terra dos humanos desvarios tecnocráticos.
Mas leiamos as seguintes variantes dessa mesma frase, estando atentos à primeira reacção que instintivamente cada uma nos provoca:

- Sou um humanista; preferia matar uma mulher a matar uma cobra.

- Sou um humanista; preferia matar um homossexual a matar uma cobra.

- Sou um humanista; preferia matar um judeu a matar uma cobra.

- Sou um humanista; preferia matar um preto a matar uma cobra.

- Sou um humanista; preferia matar um cigano a matar uma cobra.

- Sou um humanista; preferia matar um muçulmano a matar uma cobra.


Parecem, todas elas, mais repugnantes que a original, não é verdade?
Ora mulheres, homossexuais, judeus, pretos, ciganos, muçulmanos, é tudo seres humanos. Mas naquelas formulações alternativas estão discriminados. E a discriminação, ou pelo menos a sua pública expressão, passou a fazer parte das interdições sociais, já inconscientemente assimiladas por quase todos.
O filtro ideológico, e o respectivo condicionamento social, alterou-se: passou-se de um aceitável (ambientalismo) a um inaceitável (sexismo, racismo).
Tivesse o Abbey formulado a sua famosa frase sob uma dessas formas alternativas, e teria garantido uma perseguição infindável por movimentos de defesa desses diversos grupos humanos, eventualmente com tribunais e tudo, ficando ainda condenado a um eterno opróbrio.
Mas não; aquela ecológica afirmação genocida, por ter precisamente a salvaguarda ecológica, não foi considerada criminosa ou sequer insultuosa, e o senhor continua a ser respeitado e lido e estudado nas universidades.
Poderá dizer-se: mas todas estas disparatadas e extremistas declarações anti-humanidade dos ambientalistas não passam de loucuras mansas, sem consequências práticas. Seria bom que assim fosse, mas infelizmente tal não é verdade. O poder de influência do ambientalismo descabelado, aliado a políticas sem visão e políticos oportunistas, já levou, e continua a levar, a que sejam adoptadas medidas, à escala nacional e mundial, causadoras de fome, doença e morte em países antes chamados do terceiro mundo. No nosso rico ocidente apenas terão provocado, pelo menos até agora, enormes desperdícios económicos. Exemplos não faltam; ficam para depois.
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4 comentários:

Tb disse...

a propósito de ambientalistas, li na sábado sobre um tal freeman dyson que desconhecia, e que parece ser de uma corrente (ambientalista) não ortodoxa, felizmente. diz ele que o dinheiro que se gasta nas questões ambientalistas, devia ser antes utilizado no combate à pobreza, fome, doenças e educação. não me parece nada absurdo!

FKB disse...

O Freeman Dyson, já com uma idade muito avançada, é um dos maiores físicos do mundo ainda vivos. Também se tem pronunciado sobre questões ambientais; penso citá-lo num próximo post.
Há, felizmente, diversos outros qualificados personagens que se têm manifestado contra os desvarios ambientalistas, comparando os benefícios trazidos por alguns investimentos ditos ambientais com aplicações alternativas.

akb disse...

a propósito destes "humanistas", lembrei-me daqueles casos de activistas anti-aborto que colocam bombas nas clínicas ou matam os médicos que os fazem. são coisas semelhantes? o que achas?

mais uma coisa (só para ser chato, eheh): houve um lapso na transcrição em inglês. deve ser "i'd" em vez de "i've".

FKB disse...

Os activitistas anti-aborto matam, ou tentam matar, pessoas para aumentar a humanidade; estes ambientalistas fá-lo-iam para diminuir a humanidade, em proveito de outros seres vivos. Mas enfim, o "gozo" de uns e outros está sempre em matar pessoas. "Les bons esprits se rencontrent..."
I've é a contracção de I have; I'd é a contracção de I had, ou I would, ou I should. O correcto é na verdade I'd; vou corrigir.