domingo, 24 de maio de 2009

O ambientalismo como religião (I)

Michael Crichton (1942-2008), antropólogo, médico e escritor, autor de mais de vinte romances e novelas (Congo, Jurassic Park, Andomeda Strain, Rising Sun, Disclosure, etc.), dos quais muitos passaram a filmes, pronunciou em Setembro de 2003 um discurso no Commonwealth Club , San Francisco, intitulado “Environmentalism as religion”, que se resume seguidamente.

Logo no início começa por afirmar que “o maior desafio que enfrenta a humanidade é o de distinguir a realidade da fantasia, a verdade da propaganda”.
E apresenta como exemplo desse desafio o ambientalismo, e a actuação ambiental até então verificada, que classifica como desencorajadora.
Diz em seguida que há estruturas sociais humanas que sempre reaparecem. Uma delas é a religião, que não se consegue eliminar da mente humana; se suprimirmos uma qualquer das suas manifestações, ela reaparece sob outra forma qualquer, como algo que dá sentido à vida e forma a nossa visão do mundo.
“Hoje, uma das mais poderosas religiões no Mundo Ocidental é o ambientalismo. O ambientalismo parece ser a religião preferida pelos ateus urbanos. (…) Se observarem cuidadosamente, verão que o ambientalismo é na verdade uma perfeita transposição para o século 21 das crenças e mitos judaico-cristãs. (…) A sustentabilidade é a salvação na igreja do ambientalismo. Tal como a comida orgânica é a sua comunhão, essa hóstia sem pesticidas que as pessoas certas com as convicções certas tomam”.
Indica como uma das características definidoras da religião as crenças não serem perturbadas pelos factos, porque as crenças não têm nada a ver com os factos. E assim se passa com o ambientalismo, para o qual os factos não são necessários, pois os princípios do ambientalismo têm a ver com a crença.
Passa a referir alguns factos negados pelo ambientalismo, que como diz não podem ser lidos nos jornais, porque “os jornais literalmente não os noticiam”, dos quais se destaca, pela importância, apenas o primeiro:

- O DDT não é carcinogénio, não provocou a morte de pássaros e não deveria ter sido proibido. As pessoas que o proibiram sabiam disso, e não obstante proibiram-no; a sua proibição causou a morte de dezenas de milhões de pessoas pobres, na sua maioria crianças, cuja morte é directamente imputável a uma “impiedosa e tecnologicamente avançada sociedade ocidental que promoveu a nova causa do ambientalismo impingindo uma fantasia acerca de um pesticida e assim prejudicou irremediavelmente o terceiro mundo”.

Considera seguidamente que temos que nos livrar da religião do ambientalismo por duas razões:

- a primeira é haver a necessidade de um movimento ambiental, que não será eficiente se conduzido como uma religião. “Sabemos pela História que as religiões tendem a matar pessoas, e o ambientalismo já matou entre 10 a 30 milhões de pessoas desde a década de 1970”.

- a segunda razão é as religiões pensarem que sabem tudo, mas a verdade sobre o ambiente é que se está a lidar com sistemas evolutivos incrivelmente complexos, e usualmente não há a certeza sobre qual a melhor forma de agir.

“Como conseguiremos arrancar o ambientalismo das garras da religião, e torná-lo novamente uma disciplina científica? Há uma resposta simples: temos de instituir critérios muito mais rígidos sobre o que é conhecimento no domínio ambiental. (…) É tempo de abandonar a religião do ambientalismo, e voltar à ciência do ambientalismo, e basear as nossas decisões de políticas públicas firmemente nisso”.

O texto completo deste discurso está aqui.

Em Setembro de 2005 Michael Crichton foi ouvido na Comissão para o Ambiente e Obras Públicas do Senado dos USA, sobre o papel da ciência no estabelecimento de políticas públicas ambientais, onde defende o método científico como único universalmente válido para atingir a verdade, e denuncia as grosseiras manipulações e deturpações de alguns “cientistas” ambientais; esse depoimento pode ser lido aqui.

1 comentário:

akb disse...

o discurso do crichton (o 1º link) tem coisas interessantes mas parece-me que ele acaba por cair no mesmo tipo de afirmações pseudo-proféticas que contesta.