terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Extinção: a "face oculta" da evolução.


Quase no final da sua obra magna, a "Origem das Espécies", Charles Darwin resume da seguinte forma os mecanismos, a que chama leis, da evolução:

"These laws, taken in the largest sense, being Growth with Reproduction; Inheritance which is almost implied by reproduction; Variability from the indirect and direct action of the external conditions of life, and from use and disuse; a Ratio of Increase so high as to lead to a Struggle for Life, and as a consequence to Natural Selection, entailing Divergence of Character and the Extinction of less-improved forms."

A extinção das espécies é ainda referida por Darwin em diversos outros pontos dessa obra, sendo portanto um facto por ele bem identificado e estudado, assumido como parte da selecção natural (“extinction and natural selection...go hand in hand”).

[Recorda-se que o que caracteriza um conjunto de seres vivos como pertencendo a uma determinada espécie é a capacidade de por cruzamento entre eles se reproduzirem (“interbreed”). Extinção de uma espécie é o seu completo desaparecimento da face da Terra.
Uma espécie pode dar origem, ou não, a outras espécies antes da sua extinção].

Admite-se que a Terra tem 4.500 Ma (milhões de anos) de existência, havendo registos fósseis de organismos unicelulares com 3.450 Ma de antiguidade, que se supõe terem sido formados após 300 Ma de existência de massas de água em estado líquido.
Estão identificadas como existindo actualmente cerca de 2 milhões de espécies, estimando-se que haja no total entre 10 e 30 milhões de espécies (há quem refira mesmo 100 milhões).
Parecem muitas? Pois bem, dizem os paleobiologistas que todas essas espécies constituem menos de 1% das espécies que existiram na Terra desde o início da vida, e mais provavelmente apenas 0,1% desse total. Ou seja, pode-se dizer que aproximadamente a taxa de criação de espécies é, desde há 3.450 Ma, igual à taxa da sua extinção!
Estão identificadas duas formas de extinção das espécies: extinções em massa, havendo registos fósseis de cinco grandes fenómenos destes nos últimos 600 Ma, e extinção em contínuo, de "fundo".
As cinco grande extinções em massa verificaram-se no:

- Cretáceo, há 65 Ma, tendo sido extintas 76% das espécies existentes.
- Triássico, há 208 Ma, também com 76% de extinção.
- Permiano, há 245 Ma, com 96 % de extinção.
- Devoniano, há 367 Ma, com 82 % de extinção.
- Ordoviciano, há 439 Ma, com 85 % de extinção.

Apesar dos valores desmesurados acima indicados, essas cinco extinções em massa representam apenas 4 % do total das espécies extintas nos últimos 600 Ma!
O debate sobre as causas das grandes extinções em massa está em aberto, não havendo ainda conclusões definitivas; admite-se, aliás, que entre essas grandes extinções em massa se verificaram outras generalizadas, mas de menor envergadura, com uma periodicidade de 26,2 Ma.

E a que propósito vem tudo isto? Ora, evidentemente que por estarmos no ano dos aniversários de Darwin - 200 do seu nascimento e 150 anos da publicação da "Origem das Espécies" - e também por causa da actual histeria “conservacionista” dos ambientalistas, a que voltarei posteriormente.

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