terça-feira, 27 de janeiro de 2009

"A banalidade da má-fé"

É esse o título do 3º capítulo do livro "Impasses", de Fernando Gil, Paulo Tunhas e Danièle Cohn, publicado em 2003. Essa obra veio-me inevitavelmente à lembrança ao ler o chorrilho de insultos dirigidos a George W. Bush por Miguel de Sousa Tavares, na sua crónica "O fim de um pesadelo" (Expresso de 24 de Janeiro de 2009), que alinho seguidamente:

- explícito idiota; triste fantoche; actor de segunda; filho do papá; pateta; notório incompetente; idiota.
Enfim, certamente que à falta de espaço, que não de talento, se deve o ter-se ficado apenas por esses.
Passo agora a transcrever do livro e capítulo acima referidos o que muito pertinentemente se aplica ao cronista em causa:

"Os insultos não vêm por acaso, não são um epifenómeno qualquer. Têm directamente a ver com a própria estrutura da má-fé: correspondem a um seu aspecto essencial – a exigência (inconsciente, e por isso feroz) de unanimidade e a necessidade empírica dela resultante: a exclusão do outro. (...) Vale a pena uma palavra, prometida antes, sobre o caso singular das reacções quase unânimes dos intelectuais pacifistas anti-americanos ao presidente Bush. Porque é que ele atrai sobre si uma quantidade tão intensa de detestação? Primeiro, é claro, pelo simples facto de ser presidente dos EUA. Mas isso não distingue evidentemente o presidente Bush dos seus antecessores. Os presidentes dos EUA fazem sempre rir uma certa faixa de intelectuais, que, por razões misteriosas, se consideram intelectualmente muito superiores aos detentores daquele insignificante cargo. (...) O essencial consiste, não é preciso esgaravatar muito, em ele, de acordo com uma opinião muito divulgada, ser "ignorante" e "burro". (...) O que surpreenderia nisto tudo, se aqui houvesse ainda um vago vestígio de racionalidade, seria, muito simplesmente, a ignorância do intelectual meta-estável. A ideia de que alguém completamente estúpido possa ser presidente dos EUA devia, com o devido respeito, conduzir directamente o cérebro no qual ela nasceu a um exame atento das suas próprias limitações."

Aqui fica a excelente recomendação, que calorosamente subscrevo.

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